segunda-feira, 29 de julho de 2013

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Ev. Dr Afonso caramuru
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
3º Trimestre de 2013 - CPAD
FILIPENSES: a humildade de Cristo como exemplo para a Igreja Comentários da revista da CPAD: Elienai Cabral
Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD: Pr. Antonio Gilberto
ESBOÇO Nº 5
LIÇÃO Nº 5 – AS VIRTUDES DOS SALVOS EM CRISTO
O salvo deve ser inculpável no meio de uma geração corrompida e perversa.
INTRODUÇÃO
- Após ter mostrado o exemplo de todo cristão, que é a pessoa de Jesus Cristo, Paulo mostra aos filipenses que devem ser inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa.
- O cristão não deve “fazer diferença”, mas, sim, ser diferente dos homens sem salvação.

I – O CRISTÃO DEVE SER UMA PESSOA VIRTUOSA
- Depois de ter mostrado como exemplo a pessoa de Jesus Cristo para os crentes de Filipos, o apóstolo Paulo, como em uma transição para a chamada “parte prática” de sua carta (o que desmonta o argumento de que a epístola aos filipenses seria uma reunião aleatória de várias cartas que Paulo escrevera para os crentes de Filipos), após ter descrito qual era o sentimento que havia em Jesus e que deveria estar em cada cristão, começa a minudenciar o que esperava ver naqueles crentes quando, uma vez mais, retornasse a Filipos, depois da sua libertação que já lhe fora revelada pelo Espírito Santo.
- Neste segmento de sua carta, em que descreve quais as qualidades que aguardava ver na vida de cada um dos membros da igreja em Filipos, o ilustre comentarista e o Setor de Educação Cristã da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) viram aqui as “virtudes dos salvos em Cristo”.
- Ante esta constatação, devemos, pois, perscrutar o que significa “virtude”. “…Virtude (latim: virtus; em grego: ἀρετή) é uma qualidade moral particular. Virtude é uma disposição estável em ordem a praticar o bem; revela mais do que uma simples característica ou uma aptidão para uma determinada ação boa: trata-se de uma verdadeira inclinação.Virtudes são todos os hábitos constantes que levam o homem para o bem, quer como indivíduo, quer como espécie, quer pessoalmente, quer coletivamente. A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Segundo Aristóteles, é uma disposição adquirida de fazer o bem, e elas se aperfeiçoam com o hábito.…” (Virtude. In: WIKIPÉDIA. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Virtude Acesso em 28 maio 2013).
- A definição de Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.), este grande filósofo grego, revela-nos algo importante, qual seja, a de que a virtude é uma “disposição adquirida de fazer o bem”, ou seja, não é algo que tenha nascido com a pessoa, mas que se agrega à personalidade dela consoante a convivência com as demais pessoas.
- Gregório de Nissa (330-395), um dos chamados Pais da Igreja, ou seja, aqueles grandes nomes da Igreja em seus primeiros séculos depois da era apostólica, “…a virtude é ‘uma disposição habitual e firme para fazer o bem’, sendo o fim de uma vida virtuosa tornar-se semelhante a Deus…”.
- Quando vemos este entendimento cristão a respeito do que é a virtude, notamos que a virtude, para o ser humano, vai além de uma perspectiva meramente humana, é mais do que um simples conviver voltado para o bem neste mundo, mas representa uma força que nos impele a nos assemelharmos cada dia com o Senhor, de buscarmos a perfeição, o que somente pode advir a partir da obtenção da santidade.
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- Não é por outro motivo que verificamos nas Escrituras Sagradas que a vida virtuosa deve se iniciar com a salvação na pessoa de Jesus Cristo, pois, enquanto não temos a salvação, não podemos nos libertar da nossa natureza pecaminosa e decaída, que herdamos de Adão (Gn.5:3).
- Dominados por esta natureza pecaminosa, que a Bíblia denomina de “carne” (em grego, “sarx” - σάρξ), o homem, ainda que queira fazer o bem, não consegue fazê-lo (Rm.7:14-24), pois se encontra sob o domínio do pecado, escravizado por ele (Gn.4:7; Jo.8:34).
- Quando, porém, alcançamos a salvação na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo, passamos a ser morada de Deus (Jo.14:17,23) e o Senhor infunde em nós, de pronto, três virtudes, três disposições para fazer o bem, as chamadas “virtudes teologais”, a saber: a fé (Ef.2:8), a esperança (II Ts.2:16) e o amor (Rm.5:5). São estas virtudes que caracterizam o cristão (I Co.13:13).
- Como afirma, de forma muito feliz, o Catecismo da Igreja Romana: “…as virtudes teologais se referem diretamente a Deus. Dispõem os cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade e têm a Deus Uno e Trino por origem, motivo e objeto. As virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão. Informam e vivificam todas as virtudes morais. São infundidas por Deus na alma dos fiéis para torná-los capazes de agir como Seus filhos e merecer a vida eterna. São o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano.” (§§ 1812 e 183 CIC).
- Pela fé, dada por Deus através da Palavra (Rm.10:17), cremos em Jesus como nosso Senhor e Salvador, entregamos-Lhe nossa vida e temos entrada na graça (Rm.5:2). Pela esperança, que nos foi dada pelo ingresso de Cristo em nosso ser (Cl.1:27), temos uma âncora que nos permite navegar com segurança em meio às agitações desta vida até chegarmos à glória (Hb.6:18,19). Pelo amor, podemos cumprir tudo quanto o Senhor nos manda fazer (Jo.14:23), mantendo-nos obedientes até o dia da nossa glorificação, amor este que subsistirá por toda a eternidade (I Co.13:13).
- Mas, ao lado destas virtudes teologais, existem virtudes humanas, “…atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Propiciam, assim, facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa.…” (§ 1804 CIC).
- O exercício destas virtudes humanas, ante a natureza decaída do homem, exige a libertação do pecado, o que somente se obtém por intermédio de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Jo.8:36). No entanto, o fato de a libertação do pecado ser imperiosa para que a pessoa possa ter uma vida virtuosa que a leve a se assemelhar ao Senhor, não significa que as pessoas não possam se habituar a fazer o bem, a demonstrar estas virtudes humanas, pois elas resultam da própria condição do homem de ser imagem e semelhança de Deus.
- Paulo nos mostra, em sua carta aos romanos, que os homens são capazes de saber o que é o bem (Rm.2:1-16), esforçam-se em fazê-lo, embora, sem Cristo, sucumbam sempre no pecado (Rm.7:14-24), o que não significa que não reconheçam quais sejam as virtudes, os bons hábitos que devem ser perseguidos e praticados.
- O próprio Jesus admitiu que, mesmo sendo pessoas más, nós somos capazes de fazer coisas boas (Mt.7:11), a mostrar que é possível habituar-se a fazer o bem, mediante o exercício das virtudes meramente humanas, embora tal prática não tenha o condão de libertar o homem do pecado, algo que somente a salvação em Cristo pode proporcionar.
- No entanto, uma vez obtida a salvação em Cristo Jesus e recebidas as chamadas “virtudes teologais”, é inevitável que o homem, neste processo de salvação, se aproxime a cada dia de Deus, por meio da santificação, crescendo na graça e conhecimento de Cristo (II Pe.3:18), submetendo-se a um contínuo aperfeiçoamento (Ef.4:12).
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- A vida cristã tem como objetivo fazer com que “Cristo seja formado em nós” (Gl.4:19), levar-nos à “medida da estatura completa de Cristo” (Ef.4:13) e, para tanto, além dos dons ministeriais que o Senhor Jesus põe em Sua Igreja para que alcancemos tal crescimento, torna-se absolutamente indispensável que vivamos em contínua santificação (Ap.22:11).
- Por isso, a Palavra de Deus ensina-nos que todo verdadeiro e genuíno cristão pratica boas obras (Mt.5:16; Tg.2:14-18), boas obras que fazem com que cada cristão seja uma pessoa virtuosa, um verdadeiro “cristão”, ou seja, um “pequeno Cristo”, pois Jesus, enquanto neste mundo, jamais cessou de fazer o bem (At.10:38).
- Por isso, o próprio Paulo, na continuidade desta carta aos filipenses, diz àqueles crentes que eles devem ter sua mente voltada para tudo aquilo que tem alguma virtude (Fp.4:8), pois, como ensina Pedro, tendo o cristão escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo e sido feito participante da natureza divina (II Pe.1:4), deve acrescentar à fé, a virtude (II Pe.1:5), pois o Seu divino poder nos deu tudoo que diz respeito à vida e piedade e, deste modo, fomos chamados para a Sua glória e virtude (II Pe.1:3), ou seja, ao imitarmos o Senhor, teremos, necessariamente, de ter uma vida virtuosa sobre esta Terra.
OBS: Observemos, por importante, que a palavra “virtude” no sentido em que estamos a falar aqui, ou seja, como tradução da palavra grega “areté”, somente aparece três vezes em o Novo Testamento, precisamente em Fp.4:8 e II Pe.1:3,5 na Versão Almeida Revista e Corrigida. Nas outras passagens, onde encontramos a palavra “virtude”, temos a tradução da palavra grega “dynamis”, que significa “poder”, como, v.g., em Mc.5:30; Lc.1:17; 4:14; At.1:8; 10:38; Rm.15:13; I Co.4:19, entre outras passagens.

II – A OBEDIÊNCIA DOS CRENTES DE FILIPOS
- Paulo, após ter feito a descrição do sentimento que houve em Cristo Jesus, para que os crentes de Filipos seguissem este mesmo exemplo, faz um apelo a eles no sentido de que fossem obedientes, não só na presença do apóstolo, mas, também, em sua ausência e que “operassem a salvação com temor e tremor” (Fp.2:12).
- A primeira observação que devemos aqui fazer é que Paulo trata os crentes de Filipos como “meus amados”. O apóstolo revela, assim, possuir a mais importante das virtudes teologais, qual seja, o amor, amor que se traduz não só por amor a Deus mas, mais do que isto, na posse do amor de Deus que nos faz amar a todos os demais seres humanos.
- Paulo amava os filipenses e, por isso, queria que eles tivessem uma vida moral ilibada, uma vida virtuosa. O verdadeiro amor, portanto, não se apresenta, como o mundo quer nos fazer crer, numa atitude de simples e mero respeito pela opção de vida tomada pelo próximo, mas, sim, numa atitude que procura levar a verdade e a salvação para o próximo.
- Não podemos ser indiferentes aos outros, como querem os homens sem Deus nem salvação que nós sejamos em nossa vida dita religiosa. O amor de Deus que está em nossos corações leva-nos, sim, a evangelizar, a dizer aos outros que precisam crer em Cristo Jesus para alcançarem a salvação de suas vidas, para terem a vida eterna.
- A alegação, que vemos muito em nossos dias e que, pasmem todos, já conquistou a mente de muitos que cristãos se dizem ser, de que a vida religiosa deve ser exercida de modo particular, de que a divulgação da nossa fé aos outros, o chamado “proselitismo religioso” é algo desrespeitoso, não merece qualquer guarida na vida de um cristão genuíno, autêntico e verdadeiro.
- É evidente que a divulgação do Evangelho não significa uma imposição, mas, sim, uma proposição, ou seja, nós iremos pregar o Evangelho não para impor a doutrina aos homens, mas para lhes propor o caminho da salvação. Somos servos de Deus e, como tal, temos de, a exemplo do Criador, respeitar o livre-arbítrio das pessoas.
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- No entanto, não podemos, de forma alguma, reservar esta fé e esta notícia da salvação às quatro paredes de nossos templos ou a nossos lares, pois isto não é assunto que deva ficar restrito aos que já foram alcançados pela salvação. A igreja não é um “clube fechado”, mas uma agência de salvação. Se realmente amamos o próximo, se temos o amor de Deus, devemos, a exemplo de Paulo, querer que os homens não só sejam salvos, mas que cresçam espiritualmente, se santifiquem e alcancem uma vida virtuosa. Temos agido desta maneira?
- Paulo, como amava os filipenses, queria que eles obedecessem ao Senhor, não só na presença do apóstolo, mas, muito mais, na sua ausência, ausência que já se fazia prolongada por causa da sua prisão.
- Com relação aos crentes de Filipos, aliás, o apóstolo dá testemunho de que eles estavam a obedecer tanto na sua presença, quanto na sua ausência, algo, aliás, que não se verificara na igreja em Corinto (II Co.13:10).
- Assim, há igrejas em que, na ausência do ministro, do pai na fé, comportam-se de uma maneira diversa da quando ele se faz presente. Lamentavelmente, ha igrejas locais, departamentos e grupos que fazem jus ao provérbio inglês “when the cat ist away, the mice play”, ou seja, “quando o gato está fora, os ratos fazem a festa”. Será que temos nos comportado desta forma, amados irmãos?
- O apóstolo é bem claro ao afirmar que a obediência devida é a Deus e, como Deus sempre está presente, não podemos condicionar nossa vida à presença, ou ausência, das lideranças. Este não é um comportamento digno de quem quer entrar nos céus. Como temos agido, amados irmãos? Pensemos nisto!
- Mas, além da obediência, que o apóstolo já sabia haver entre os crentes de Filipos, havia um outro pedido, que era fundamental para que se tivesse uma vida virtuosa, uma vida que repetisse o exemplo de Cristo Jesus, que tivesse o mesmo sentimento que houvera em Nosso Senhor durante o Seu ministério terreno. Era fundamental que os crentes de Filipos “operassem sua salvação com temor e tremor”.
- O significado de “operar” aqui, que a Nova Versão Internacional traduz como “pôr em ação” e Tradução da CNBB por “realizar”, é o de “produzir”, “conseguir”, “atingir”. “…Paulo mostra que realmente pomos em funcionamento a nossa salvação, em termos não-legalistas. (…). O processo (do princípio ao fim, da conversão à glorificação), na realidade terá de ser efetuado mediante o exercício da vontade humana, que ‘acolhe e encoraja’ a vontade divina, para que esta opere.(…). Desenvolvemos nossa salvação porque cada avanço na espiritualidade é realizado por nós, na medida em que vamos cooperando com o poder divino. Nenhum avanço pode ser atingido sem essa cooperação.(.). A essência desta ideia é a de que ‘somos responsáveis’ por cada passado de nossa salvação, incluindo a conversão (quando nos achegamos a Cristo), a santificação (quando permitimos que o Seu Espírito nos torne santos) e as boas obras (quando pomos em prática a lei do amor)…” (CHAMPLIN, R.N. Novo Testamento interpretado versículo por versículo, v.5, pp.33-4).
- Vemos, pois, que “operar a salvação com temor e tremor” nada mais é que viver uma vida virtuosa, deixar aflorar em nossa vida as “virtudes teologais” que, unidas às “virtudes humanas”, possam fazer com que sejam pessoas que praticam boas obras, que sejam “homens e mulheres de bem”, cujo testemunho possa fazer com que as pessoas glorifiquem a nosso Pai que está nos céus (Mt.5:16).
- “Temor e tremor” é expressão que tem o significado, segundo os estudiosos do grego do Novo Testamento, da “ansiedade de alguém que, não confiando em suas próprias habilidades, faz o melhor de si para cumprir os seus deveres religiosos” (Strong 5156 apud Bible Works). Como explica Weadlaw, citado por Russell Norman Champlin: “ ‘…temor, autodesconfiança, consciência sensível, vigilância contra a tentação; uma inspiração que se opõe à altivez de espírito, o cuidado para que se não caia, constante apreensão ante o fato de que o coração é tão enganoso, o temor devido ao poder insidioso da corrupção no íntimo.’…”. E acresce o próprio Champlin: “ …Um respeito são é aqui recomendado, e até mesmo o temor, no sentido ordinário do termo, porquanto o nosso Senhor é o Rei dos reis.…’ (Novo Testamento interpretado versículo por versículo, v.5, p.34).
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- ‘Temor e tremor” é uma expressão que nos mostra que, em nossa vida cristã, devemos reconhecer o senhorio de Cristo não somente sobre as nossas vidas, mas sobre todo o Universo, sabendo que devemos-Lhe obedecer não por medo, mas por tendo bem ciência de que todo joelho se dobrará a Ele e que horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo (Hb.10:31).
- Paulo queria que os crentes de Filipos jamais se esquecessem de que estavam a servir ao Rei dos reis, ao Senhor dos senhores, que a vida cristã não é uma brincadeira, um mero exercício religioso, mas algo que nos garante a nossa eternidade com Aquele que está sobre todo o nome.
- Esta seriedade da nossa posição diante de Cristo tem sido negligenciada por alguns em nossos dias. Muitos estão a “brincar de ser crentes”, a levar uma vida espiritual frívola e superficial. A reduzir a vida com Cristo a uma mera ocasião social, nos domingos à noite, onde, aliás, infelizmente, em muitos casos, não há sequer um encontro com o Senhor Jesus, mas uma mera sessão teatral, um mero instante de entretenimento e de alívio emocional enganoso e ilusório.
- O proverbista diz que assim como o louco que lança de si faíscas, flechas e mortandades, é o homem que engana o seu próximo e diz que o fez por brincadeira (Pv.26:18,19). Como, então, qualificar alguém que procura enganar ao Senhor, que tem uma vida espiritual dúplice e claudicante? Muito mais do que louco!
- Paulo mostra aos filipenses a seriedade da vida cristã e a necessidade de sermos obedientes ao Senhor em todo o tempo, incondicionalmente, independentemente das circunstâncias. Esta noção tem faltado a muitos que, tendo má compreensão do que seja o amor e a graça de Deus, acham que podem “brincar com o pecado”, podem ter uma vida irresponsável diante do Senhor.
- Temos de ser obedientes a Deus, submissos a Ele, em todo o tempo, com todo o coração, é o que nos ensina o apóstolo Paulo nesta sua recomendação aos crentes de Filipos.
- Neste sentido, podemos até dizer que nos falta aqui uma certa noção que vem do islamismo. Aliás, a palavra “islão” já significa “submissão” e é nesta atitude que se encontra a essência do relacionamento com Deus segundo os muçulmanos. Verdade é que não é esta toda a realidade que Deus Se revelou aos homens na Bíblia Sagrada, mas este lado tem sido indevidamente negligenciado por muitos que cristãos se dizem ser na atualidade.
- Devemos realizar a nossa salvação com “temor e tremor”, ou seja, reconhecendo a soberania de Cristo e sabendo que precisamos nos dedicar totalmente a fazer a Sua vontade, mesmo que isto represente um verdadeiro “terremoto” em nossa maneira de viver.
- Nesta mudança completa em nossos hábitos, não podemos confiar em nós mesmos, mas, sim, em Deus, que “opera em nós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade” (Fp.2:13).
- Transformados pela salvação em Cristo Jesus, sendo “novas criaturas” (II Co.5:17; Gl.6:15), temos de ter a convicção de que não somos mais quem vivemos, mas é Cristo que vive em nós (Gl.2:20) e, desta forma, não há porque temermos as mudanças que sobrevirão em nossas vidas, pois não só passaremos a querer o que Deus quer, mas cumpriremos a Sua vontade.
- Deus opera em nós tanto o querer como o efetuar, pois, em Deus, o desejo já é uma realidade. Encontra-se aqui, aliás, uma grande diferença entre Deus e o homem. Enquanto em Deus, o querer já é o efetuar, no ser humano há uma distância entre a vontade e a realidade, distância esta que nos faz entender quanto devemos depender de Deus.
- Quando nos esforçamos em obedecer ao Senhor, em nos aproximar d’Ele, em buscar a sua presença, em termos cada vez mais intimidade com o Senhor, Ele passa a efetuar em nós o Seu querer, de modo que a nossa salvação é desenvolvida, é realizada, caminhamos cada dia em direção ao Senhor.
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- A realidade da nossa vida cristã deve ser tal que devemos repetir as palavras do poeta sacro: “A cada passo que eu dou na vida é um degrau a mais que subo ao céu. Em Cristo, tenho a melhor guarida e da morte não temo labéu. A cada passo vou me aproximando daquele lar que Cristo prometeu e, passo a passo, sigo caminhando, a cada instante mais perto de Deus”. É esta a nossa vida?

III – A VIDA VIRTUOSA QUE PAULO DESEJAVA AOS CRENTES DE FILIPOS
- Após ter reconhecido a obediência dos crentes de Filipos e, de igual modo, recomendado aos seus amados irmãos em Cristo que desenvolvessem a sua salvação com temor e tremor, o apóstolo, partindo do exemplo de Cristo Jesus, diz, concretamente, o que esperava ver na vida dos crentes filipenses quando chegasse a vê-los novamente.
- A vida virtuosa desejada pelo apóstolo Paulo aos filipenses começava com uma vida ausente de murmurações e contendas (Fp.2:14): “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas”.
- Temos aqui dois componentes que impedem as pessoas de “a cada passo caminhar rumo ao céu”. A primeira delas é a murmuração, elemento que, inclusive, impediu o povo da geração do êxodo de ingressar na Terra Prometida (Nm.14:27-38).
- “Murmuração”, diz o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, significa “ato ou efeito de murmurar; murmúrio; rumor infundado; boato; falatório depreciativo; detração; maledicência”. Vem do latim “murmuratio, onis”, que significa “descontentamento”. Esta palavra, por sua vez, vem da raiz “mu”, que vem do grego “mu”, que é uma onomatopeia, a reprodução do grunhido de um cão, de um gemido de dor.
- No Antigo Testamento, a palavra hebraica é “tawlunah” (תלונה ) ou “talunah” (תלנה ), que tem exatamente o significado já mencionado no dicionário da língua portuguesa, sendo que, em o Novo Testamento, a palavra grega é “gongusmós” (γογγυσμός), que também tem o mesmo sentido já aludido.
OBS: Em I Pe.2:1, a palavra traduzida por “murmurações” na Versão Almeida Revista e Corrigida é “katalalia”, cujo significado mais preciso é o de “maledicência”, tanto que é esta a palavra utilizada na Nova Versão Internacional, na Bíblia de Jerusalém e na Versão Almeida Revista e Atualizada.
- Percebemos, por primeiro, pois, que a “murmuração” é um falar que nos aproxima da irracionalidade, pois se trata de um gemido de dor, de um grunhido de cão, ou seja, algo decorrente do instinto, algo que não é necessariamente pensado e que decorre de uma situação de desagrado, de infelicidade. É, como diz o Comentário VINE, de “dizer algo em tom baixo”, “queixar-se com indignação”.
- Notamos, portanto, que a “murmuração” é uma atitude que nasce de um desagrado, de uma situação emocional adversa, em que a pessoa age por instinto, sem pensar naquilo que está a fazer. É uma ação de quem se deixa levar instintivamente, ou seja, pela “carne”, pela natureza pecaminosa.
- Bem se vê, pois, que a “murmuração” não tem guarida em um ser que é guiado pelo Espírito Santo, que não mais anda segundo a carne, mas pelo Espírito (Rm.8:1). É atitude de quem é sensual, ou seja, que se guia pelos instintos, e que, portanto, não tem o Espírito (Jd.19).
- Quando vemos o povo de Israel murmurando na caminhada para a Terra Prometida, bem percebemos que isto se dava porque eles eram movidos pelas necessidades imediatas que estavam a passar (fome, sede, desejos), necessidades que os faziam desconsiderar a Deus e a todas as maravilhas que o Senhor estava a operar no meio do povo.
- Na murmuração, ainda que “à boca pequena” (numa clara demonstração de que há a noção da soberania divina), o ser humano mostra o Seu desagrado para com Deus, revela, assim, uma falta de temor e de tremor, precisamente o que o apóstolo recomendara para os filipenses.
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- O problema maior, em torno da murmuração, é que ela se espalha no meio do povo, é uma verdadeira praga, que a todos contamina e faz com que a situação se torne de rebelião contra o próprio Deus (Ex.16:7; Nm.14:27; 17:10).
- Quem murmura deixa de ser guiado pelo Espírito Santo e começa a andar segundo a carne e, por conseguinte, corre sério risco de morrer espiritualmente, “…porque a inclinação da carne é morte (…) a inclinação da carne é inimizade contra Deus (…) os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm.8:6-8).
- Quando Paulo diz aos filipenses que nada fizessem por “murmuração”, estava a pedir-lhes que não permitissem que se deixassem levar pela carne e, assim, deixassem de servir ao Senhor. Escrevendo aos coríntios, Paulo bem claro ao mandar que os salvos não murmurassem, para que não pereçamos, a exemplo da geração do êxodo, pelo destruidor (I Co.10:10).
- Quantos que não estão a fazer aquilo que Paulo recomendou expressamente que os filipenses não fizessem? Quantos que não param de murmurar e de reclamar, dando vazão à carne e comprometendo a sua salvação? Tomemos cuidado, amados irmãos!
- O apóstolo também recomenda que os filipenses nada fizessem por contenda, expressão que não haveremos aqui de minudenciar, pois já tratamos deste assunto na lição anterior, quando vimos que a contenda, igualmente uma obra da carne, é um subproduto da soberba e da perversão.
- Somente fazendo as coisas sem murmuração nem contenda, os salvos podem ser irrepreensíveis e sinceros (Fp.2:15), duas características fundamentais para que um salvo seja, efetivamente, um servo do Senhor, um filho de Deus.
- “Irrepreensível” é aquele que “não dá margem a repreensão ou censura; sem nenhuma falha; perfeito; escorreito”. No texto em apreço, a palavra grega empregada é “amemptos” (άμέμπτως), cujo significado é “sem culpa”, “digno de nenhuma censura”, “livre de falta ou de defeito”.
- Para que os salvos sejam pessoas que não sejam censuradas nem reprovadas seja pelos demais membros em particular da Igreja, seja pelos incrédulos, é indispensável que tudo seja feita sem murmuração nem contenda. Quando agimos por humildade, considerando os outros superiores a nós mesmos e aceitamos a vontade de Deus em nossas vidas, confiando no Senhor e não dando margem aos nossos instintos, temos condição de ser “irrepreensíveis”.
- O apóstolo deixa-nos aqui a preciosa lição de que a “irrepreensibilidade” não é algo que venha de nós. Pelo contrário, é uma consequência de nos guiarmos pelo Espírito Santo, de não fazermos a nossa própria vontade, mas, sempre, de cumprirmos a direção e orientação do Santo Espírito, de podermos cumprir a Sua vontade.
- Quando agimos pelos nossos instintos, quando resolvemos agir “segundo a nossa cabeça”, certamente damos margem a que sejamos censurados pela Igreja, certamente damos um passo mais distante do Senhor, ficando à mercê do destruidor que poderá fazer com que nós pereçamos e não entremos no lar celestial.
- Mas, além de irrepreensíveis, devemos, também, ser sinceros. “Sincero”, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é aquele “que se exprime sem artifício nem intenção de enganar ou de disfarçar o seu pensamento ou sentimento; que é dito ou feito de modo franco, isento de dissimulação; em quem se pode confiar; verdadeiro, leal; que demonstra afeto; cordial.”
- Em Fp.2:15, a palavra grega empregada é “akeraios” (άκέραιος), cujo significado é de “não misturado”, “puro”, “sem mistura do mal, livre de culpa, inocente, simples”.
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- Quando nada fazemos por murmuração ou contenda, ou seja, quando fazemos o bem de coração, temos o hábito de fazer bem porque temos as “virtudes teologais” infundidas em nós pelo Espírito Santo, quando os inclinamos a praticar boas obras, como resultado de um caminhar decidido em direção ao Senhor, somos “sinceros”, ou seja, “não temos culpa”, “não temos mistura”, não permitimos que o velho homem, o homem carnal “desça da cruz”, mantemo-nos “crucificados com Cristo” (Gl.2:20) e, deste modo, fazemos tão somente a vontade do Senhor.
- Não é um processo fácil, porquanto este “velho homem” não desapareceu ainda de nosso interior. Encontra-se crucificado com Cristo, mas ainda presente, combatendo contra o nosso espírito (Gl.5:17). Mas, se alimentarmos o nosso espírito, aproximando-nos cada vez mais do Senhor, buscando a nossa santificação por meio da meditação nas Escrituras, da oração, do temor a Deus, da digna participação na ceia do Senhor, que são os mais importantes “meios de santificação”, certamente poderemos ter esta sinceridade que é requerida aqui pelo apóstolo aos crentes de Filipos.
- Esta irrepreensibilidade e sinceridade do salvo faz com que ele tenha um comportamento completamente diferente, contrário ao do restante das outras pessoas que não tem a salvação em Cristo Jesus. Paulo é claro ao dizer que, ante esta irrepreensibilidade e sinceridade, o salvo surge como “filho de Deus inculpável no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo” (Fp.2:15).
- Temos aqui, então, uma demonstração cabal de que o salvo é diferente do incrédulo. É luz, enquanto o mundo está em trevas. Jesus disse que nós somos a luz do mundo (Mt.5:14), luz está que advém do próprio Cristo, Ele, em sentido próprio, a luz do mundo (Jo.8:12).
- Esta luz, que brilhava por si só enquanto o Senhor Jesus estava no mundo (Jo.9:5), agora é vista mediante o reflexo advindo da Igreja, do conjunto dos salvos em Cristo Jesus, que, como espelho, refletem a glória do Filho de Deus (II Co.3:18), fazendo com que os homens glorifiquem ao Pai que está nos céus (Mt.5:16).
- É bem este o sentido que o apóstolo nos indica aqui, pois a palavra “astros” é, no original, a palavra grega “foster” (φωστήρ), que a Versão Almeida Revista e Atualizada traduziu por “luzeiros”, querendo, com isto, indicar que se trata de um corpo celeste que não tem luz própria, mas que irradia a luz de outrem. Aliás, F. Wilbur Gingrich e Frederik W, Danker, em seu Léxico do Novo Testamento Grego/Português, entende que o melhor significado para esta palavra grega é “esplendor, radiância”.
- Enquanto a geração do mundo é corrompida e perversa, ou seja, se deixou dominar pelo pecado, caminha de abismo em abismo (Sl.42:7), vivendo perversamente, cada vez mais aprofundada no pecado, os “filhos de Deus” exsurgem como “luzeiros”, como “esplendores”, refletindo a glória de Deus e mostrando uma vida “sem a culpa do pecado”, uma vida de total liberdade, já que não mais são escravos do pecados, libertos que foram pelo Senhor Jesus.
- Não se pode, diante deste quadro que o apóstolo Paulo queria ver em Filipos quando ali chegasse, concordar com aqueles que, nos dias hodiernos, defendem um “outro evangelho”, um evangelho que compactua com os costumes mundanos, com a mentalidade pós-moderna vigente, um evangelho que, como dizia o suadoso pastor Walter Marques de Melo, é um evangelho “light”, que não erradica o pecado, nem com ele rompe.
- Lamentavelmente, existem milhões e milhões de sedizentes crentes que não são filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa que resplandecem como astros no mundo.
- Por primeiro, não são filhos de Deus, pois não estão sendo guiados pelo Espírito Santo (Rm.8:14). Quem é guiado pelo Espírito Santo, é guiado em toda a verdade (Jo.16:13), verdade esta que é a Palavra de Deus (Jo.17:17).
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- Todavia, estes sedizentes crentes não pautam sua vida de acordo com a Bíblia Sagrada, mas estão a seguir doutores conforme as suas próprias concupiscências, pois não suportam mais a sã doutrina (II Tm.4:3), preferindo seguir fábulas, invenções humanas, interpretações distorcidas das Escrituras a obedecer o que contém a Bíblia, que, para eles, é um “livro antiquado que precisa evoluir”.
- Por segundo, não são inculpáveis, pois, como não se santificam pela Palavra de Deus (Jo.17:17), carregam consigo a culpa do pecado, pois voltaram a pecar, voltaram a seguir a carne, a sua natureza pecaminosa, já que não são guiados pelo Espírito Santo. Portanto, corromperam-se, retornaram à escravidão do pecado.
- Por terceiro, como entraram em comunhão com o mundo, com o pecado, com a geração corrompida e perversa, já não mais refletem a glória de Deus, perderam o brilho da salvação, estão entenebrecidos, andam agora nas trevas. Suas ações são em tudo idênticas aos que afirmam não crer em Cristo, são apenas “cristãos nominais”, mas seus frutos demonstram claramente que não mais estão na luz. São pessoas que amaram mais as trevas do que a luz e, por isso mesmo, abandonaram o caminho santo, para que suas obras não sejam reprovadas (Jo.3:19-21).
- Como é triste constatar que esta é a situação de muita gente que se diz cristã na atualidade, aqueles que, por se multiplicar a iniquidade, tiveram seu amor a Deus esfriado (Mt.2412) e, por isso, apostataram da fé, dando ouvido a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios (I Tm.4:1). Que Deus nos dê a graça de não pertencer a estes “quase todos” que estão a caminhar por veredas sombrias e tortuosas!
- Paulo não queria chegar a Filipos e ver uma igreja apostatada, uma igreja que estivesse desviada dos caminhos do Senhor. Que também seja este o desejo sincero de cada irmão em Cristo Jesus nestes últimos dias da dispensação da graça. Lutemos para arrebatar os nossos irmãos da apostasia que tem grassado e levado a quase todos os que cristãos se dizem ser. E quando falamos “quase todos”, não estamos sendo alarmistas, pois é este o sentido da palavra grega traduzida por “muitos” em Mt.24:12. Que Deus nos guarde!
- Para sermos filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa e resplandecermos como astros no mundo, é necessário que “retenhamos a Palavra da vida” (Fp.2:16).
- Não há como nos mantermos em santificação e nos aproximando cada vez mais do Senhor Jesus e da “estatura completa de Cristo” se não “retivermos a Palavra da vida”, se não alimentarmos nosso homem interior com a Palavra de Deus (Mt.4:4).
- É preocupante verificarmos, em nossos dias, o pouco tempo que se dedica à meditação nas Escrituras, este alimento diário que deve alimentar e fortalecer o nosso espírito, que combate diuturnamente contra a carne em nosso interior.
- Recentemente, um líder de adolescentes de uma igreja onde fomos dar um ensinamento, disse-nos que inquiriu o conjunto de adolescentes, cerca de trinta pessoas, quem não lia uma palavra sequer da Bíblia Sagrada durante a semana e, para seu espanto, todos os adolescentes disseram que era exatamente o que ocorria em suas vidas! Como podemos, amados irmãos, ser filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa se não temos uma leitura devocional das Escrituras diariamente?
- Poderíamos ficar imunes a doenças e manter uma saúde física se não nos alimentássemos diariamente? Certamente que não! É exatamente isto que se faz necessário em nosso aspecto espiritual com relação à Bíblia Sagrada!
- Paulo é bem claro ao dizer aos filipenses que eles precisavam “reter a Palavra da vida” para que pudessem ter uma vida virtuosa, para que pudessem fazer o bem, para que pudessem levar as pessoas a glorificar o nosso Pai que está nos céus.
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- Era isto que Paulo desejava ver nos crentes filipenses quando ali chegasse. Era este o motivo que o fazia gloriar (Fp.2:16). O apóstolo diz que a razão de ser de seu trabalho era ver os crentes salvos, crendo em Cristo, mas vivendo uma vida de contínua aproximação para com o Senhor.
- Paulo não se impressionava com o número de pessoas que se convertiam e desciam às águas do batismo e se faziam membros da igreja. Não, não e não! Paulo somente entendia ter tido êxito em seu trabalho quando verificava que estes crentes que haviam crido, se batizado e se tornado membros da igreja local tinham uma vida de retenção da Palavra da vida e apareciam, no meio da geração corrompida e perversa, resplandecendo como astros no mundo.
- Nos dias em que vivemos, não são poucos os obreiros que entendem ter “cumprido a missão” tão somente quando levam a seus superiores na hierarquia eclesiástica relatórios financeiros exitosos, quando mostram a igreja cheia de pessoas nos cultos dominicais noturnos, quando apresentam números de pessoas que são levadas ao batismo nas águas.
- Tudo isto é muito bom e serve até de um indício de que se está realizando a contento a obra de Deus, mas, muito mais do que isto, é preciso verificar como estão vivendo estes sedizentes cristãos. Têm eles vivido como filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa, resplandecendo como astros no mundo? Ou vivem eles como qualquer incrédulo, convivendo com uma vida pecaminosa, sendo dignos de censura e reprovação por todos, sendo verdadeiros hipócritas religiosos?
- O apóstolo diz que somente teria certeza de que não tinha trabalhado em vão se observasse uma vida virtuosa entre os crentes de Filipos (Fp.2:17). Será que nosso trabalho tem sido em vão, amados ministros?
- Em havendo a presença desta vida virtuosa entre os crentes de Filipos, o apóstolo não se importava em ter de morrer por causa da fé. Seria martirizado com alegria, pois saberia que havia, realmente, preparado uma igreja que se apresentasse a Cristo como uma virgem pura a seu marido (II Co.11:2).
- O pastor, aquele que apascenta o rebanho do Senhor, não deve ter outro objetivo, outra finalidade em seu trabalho senão levar aquele rebanho como uma virgem pura ao marido, a Cristo, por ocasião do arrebatamento da Igreja, quando nos encontraremos com o Senhor nos ares para vivermos para sempre com Ele (I Ts.4:16,17). Deve ser esta a sua meta, o móvel de toda a sua atividade.
- Ao falar sobre o seu destemor de ser morto por causa do Evangelho, Paulo usa a expressão “ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício” (Fp.2:17). Aqui, mais uma vez, vemos que o apóstolo tinha bem consciência de qual era a sua posição na obra de Deus.
- Paulo não se apresenta como sendo “o sacrifício”. O apóstolo bem sabia que o único sacrifício agradável a Deus foi o do próprio Cristo, o Cordeiro de Deus que tirou o pecado do mundo (Jo.1:29), coisa que Jesus fez “…uma vez, oferecendo-Se a Si mesmo” (Hb.7:27), por intermédio do “…Seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (Hb.9:12), Cristo que “…Se ofereceu a Si mesmo imaculado a Deus”, cujo sangue purifica as nossas consciências das obras mortas para servirmos ao Deus vivo (Hb.9:14).
- Paulo tinha absoluta consciência de que não podia salvar-se a si mesmo e que dependia do sacrifício único de Cristo no Calvário para ter acesso ao Pai. Mas, poderia, sim, ser a “libação sobre o sacrifício”. A “libação” nada mais era, dentro do cerimonial dos sacrifícios na lei, que o verter de uma bebida sobre o altar, bebida esta que outra não era senão o próprio sangue da vítima (Lv.1:5,11;3:2), “…numa espécie de gesto final de consagração do sacrifício. Paulo não negava o sangue de sua própria vida (não pretendia evitar o martírio), contanto que isso fizesse a fé dos crentes filipenses avançar. E nisso se pode ver, como é óbvio, a extraordinária dedicação do apóstolo dos gentios, tal como, em Rm,12:1, cada um de nós é convocado para ser um ‘sacrifício vivo’.…” (CHAMPLIN, R.N. op.cit., p.37).
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- Este sentido dado a Paulo ao eventual efeito de sua morte sobre a fé dos crentes tem sido verificado ao longo da história da Igreja. Tertuliano (±160-220), outro dos chamados Pais da Igreja, foi explícito ao afirmar que “o sangue dos mártires é a semente de novos cristãos” e o que disse não ficou apenas circunscrito às perseguições romanas vivenciadas por aquele pai da Igreja mas tem acompanhado a Igreja desde o seu nascedouro.
-A alegria não deveria ser apenas de Paulo, mas o apóstolo queria que os próprios crentes de Filipos se alegrassem ao ver uma vida virtuosa entre os irmãos, ao contemplarem o “serviço da fé”, ou seja, uma fé operosa, que produzisse frutos de justiça, que se traduzisse em uma vida diferente e completamente distinta da que era vivida pelos que não tinham a salvação.
- Será que podemos ter esta alegria que Paulo e os filipenses certamente desfrutaram quando o apóstolo esteve entre eles? Será que podemos observar, entre nós, em nossa vida, em nossa igreja local, astros resplandecentes no mundo, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa? Ou será que a podridão do mundo já tem nos alcançado?
- Temos aqui a quinta alegria mencionada pelo apóstolo nesta carta aos filipenses, a “carta a alegria”, que é a “alegria de sofrer por Cristo”. “…Nessa carta constantemente Paulo está face a face com a morte; considera o seu martírio como probabilidade. Neste versículo Paulo se transporta em seu pensamento para o templo em Jerusalém na hora do sacrifício. A vítima está imolada e posto no altar: o fogo está acesso. Chegou o momento cruciante, o auge da cerimônia toda: o sacerdote derrama sobre a vítima a libação. É o que aperfeiçoa o sacrifício. Paulo se considera essa libação , o que completa o serviço e sacrifício da fé dos filipenses. O seu martírio seria justamente isso, a libação sobre o sacrifício. Por isso, os filipenses deveriam se alegrar, e alegrar-se juntamente com ele. Alegria no sofrimento, mesmo que este seja o sacrifício supremo.…” (SENA NETO, José Barbosa de. Carta aos filipenses: a carta da alegria! Disponível em: http://prbarbosaneto.blogspot.com.br/2008/01/carta-aos-filipenses-carta-da-alegria.html Acesso em 29 maio 2013).
- Esta alegria, que, do ponto-de-vista puramente humano pareceria incompreensível, é resultado da comunhão com Deus, da comunhão no Espírito. A alegria aqui existente é espiritual, uma das qualidades do fruto do Espírito (Gl.5:22). Era a mesma alegria apresentada pelos apóstolos depois que foram açoitados por ordem do Sinédrio (At.5:41), é a convicção de que se está no mesmo caminho trilhado por Cristo, de quem verifica que o Senhor o fez digno de padecer por causa do Evangelho.
- Somos capazes de sentir esta alegria? Será que temos a visão espiritual capaz de nos fazer entender que o sofrimento por causa do Evangelho, por causa do nome de Jesus é uma bem-aventurança (Mt.5:11,12)? Ou nossa vida “espiritual” não vai além dos sentimentos, das emoções puramente humanas, que sucumbe ante a sofrimentos, perseguições, dificuldades ou, mesmo, ameaças de morte? Pensemos nisto!
- O salvo em Cristo, como nos mostra o apóstolo, é uma pessoa que tem uma vida virtuosa, uma vida completamente diferente dos demais que habitam este planeta. Será que, aos olhos do apóstolo, seríamos considerados cristãos? Pensemos nisto!
Colaboração para o Portal Escola Dominical - Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco

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